segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A lição dos mortos.

Percebo que o ser humano possui um costume muito interessante, o de sempre lembrar as qualidades dos que já não estão conosco, sempre relevando os defeitos que os mesmos possuíssem em vida.

Fulano podia ser um pilantra, trambiqueiro, galinha, ter todos os vícios do mundo, mas quando alguém lembra do mesmo em alguma roda de amigos, sempre vai lembrar que o mesmo era prestativo, tinha senso de humor ou lembrar de algum favor ou boa ação que o mesmo tenha feito, seja la por qual motivo.

Ai pergunto, porque não começamos a fazer o mesmo com os que ainda continuam aqui? Porque ao invés de lembramos das coisas ruins que a beltrana nos fez, não começamos a lembrar o quanto é agradável papear com ela? Como as suas piadinhas alegram o ambiente, que no meio do poço de defeitos existe também qualidades indiscutíveis? Quem sabe esquecendo os golpes e lembrados apenas do que realmente é importante, nossas vidas tornem-se menos amargas e quem sabe um dia aprendamos a tornar isso aqui o Reino dos Céus.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Perfeição

O que é ser perfeito? Sera que temos um conceito verdadeiro? Será que isso existe realmente?
É o que tenho me perguntando nos ultimos dias, sempre tentei alcançar a perfeição, sempre me cobrei demais, principalmente nos ultimos anos, mas o que estava percebendo é que estava me anulando, cada dia desaparecendo, e cada dia sendo mais cobrado por algo que ninguem consegue, e o pior a maior cobrança era a minha, não aceitava errar, perdia noite de sono, sempre tentando buscar respostas, sempre analisando as possibilidades, não me permitia o erro, sempre buscava exemplos no sucesso dos outros, pra depois perceber que a maioria conseguia alcançar o que almejava por pura sorte, mas eles podiam vacilar, eu não.
Só que percebia, que cada vez que nadava mais me afogava, enquanto outros iam boiando e confiando na bondade da maré e alcançavam a tão almejada praia.
Decidi fazer o mesmo, vou pra onde a maré me levar, vamos torcer os dedos e torcer para um bom destino, é a unica coisa que vou fazer.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Manhattan Skyline

A arte é tudo, existem obras e artistas que conseguem fazer percebermos sentimentos ate ali ocultos. Uma dessas obras é a espetacular musica Manhattan Skyline, que piano, que atmosfera e que voz angelical do excelente Morten Harket que nessa cançao conseguiu fazer o impossivel, se superar.

Engraçado que a pouco voltando do trabalho comentava com um amigo que realmente não desejava mais voltar a tocar, que tudo que passei nas bandas e na igreja conseguiram apagar aquela chama, aquela paixão que tinha em querer fazer musica, mas ao ouvir os primeiros acordes dessa maravilhosa canção toda decepção, todo sentimento de fracasso, vão por agua baixo, que saudades do tempo em que podia me expressar pelas notas graves do meu contra-baixo, o prazer de fazer uma musica, tocar uma cançao e sentir que alguem esta gostando do que esta ouvindo, é muito legal ter a sensação de que estamos fazendo algo e que as pessoas consigam sintonia, consigam entender o que voce quis fazer. E a musica é a maneira mais rapida e intensa de atingir o sentimento. Quem sabe mais algumas audições das canções que amo não me façam mudar de ideia.

domingo, 29 de julho de 2007

Apenas viver

Nos três últimos anos, dediquei todo o meu tempo disponível e meu pouco dinheiro em livros, apostilas, estudos, tudo que pudesse me levar a conhecer o porque de estar aqui, o porque de existir, mas confesso que isso tem me enfadado, consegui respostas, mas infelizmente não as que queriam, tudo que acreditava ao passar nas provas mostraram-se tão frágeis como palha diante do fogo.

Infelizmente, queria muito que existissem uns lugares onde houvesse harmonia e amor sem interesse, onde houvesse uma amizade verdadeira; também queria que alguém se preocupasse comigo, que dedicasse algum tempo para me ajudar a resolver meus problemas, ou apenas me ouvir e tentar me entender.

Mas não, os milhares de paginas de nada serviram ao rigoroso teste da vida, do dia-a-dia, do sofrimento, das humilhações, do trabalho suado, das noites acordadas, da solidão, dos ouvidos tapados e dos olhos fechados.

Não sei o que as pessoas pretendem ao seu reunir aos domingos em um templo, qual o verdadeiro objetivo, não vejo nada que consiga relacionar com os ensinamentos de Cristo, alias vejo muita vaidade, muita ostentação, e uma fé pra lá de conveniente, um “deus” sob medida, realmente cansei de tanta hipocrisia.

Semana passada perdi um primo e isso fez eu ver o quanto a vida passa rápido, e como tentar entendê-la é uma perda de tempo, resolvi viver, fazer o que gosto, não quero mais saber do futuro, não quero mais traçar metas, quero apenas apreciar as artes, ler livros que não tente me dizer o que eu devo ou não fazer, torcer pro meu Mengão, ter uma vida normal, não tentar mais achar nada de “especial” ou muito menos um sentido de estar aqui, acho que cheguei a uma conclusão, o ultimo ato da criação foi o Adão e Eva, o resto é conseqüência, não a nada que eu possa fazer, o mundo vai ser sempre isso, o mais forte dominando o mais fraco, o abençoado ajudando o coitado, nunca haverá igualdade, isso é utopia, acho que seria legal um dia as pessoas deixarem de ser hipócritas, olharem para si mesmas e verem que não são especiais, somos todos iguais, todos vamos para o mesmo buraco, ninguém é melhor do que ninguém.

sábado, 14 de julho de 2007

A obscuridade dos nossos dias

Gosto muito dos autores iluministas, embora não concorde com tudo que eles escreveram, acho que abriram muitas portas, quebraram vários dogmas e acabaram com alguns costumes que realmente só traziam sofrimento, mas ao ver algumas cenas, me pergunto: Será que realmente saímos totalmente do obscurantismo medieval?

É costume culpar a religião em especial as cristãs, por todas as mazelas do ocidente, uma herança da inquisição e de doutrinas extremas de alguns protestantes, mas tirando isso, será que só sobra flores?

O que leva uma pessoa a acumular bens e mais bens, sendo que algumas fortunas não serão gastas nem em dez gerações, enquanto milhões morrem famintos?

O que leva uma pessoa a perseguir a outra ou humilhar simplesmente “porque não foi com a cara”?

O que leva uma pessoa a diferenciar uma como sendo melhor que a outra? Qual o critério?
Infelizmente essa “luz” que acabou com o obscurantismo acabou cegando muitos, onde foi parar o bom senso, o respeito, e principalmente o amor? Se é que um dia eles estiveram entre nos, mas só acredito em uma sociedade evoluída quando todos nos respeitarmos como seres humanos e conseguirmos nos colocar no lugar um dos outros.

domingo, 8 de julho de 2007

A importância da trilha sonora

Alem dos livros, tenho outra paixão a musica (ate já me arrisquei a tocar contra-baixo, sem muito sucesso, sorte de vocês), a musica tem um poder como toda arte, mas nessa um pouco mais evidente de abrir as portas da sensibilidade, com ela conseguimos sentir emoções diversas de acordo com a melodia, ritmo ou harmonia.
Ate hoje me lembro de como chorei ao final do filme “A Lista de Schindler”, lógico que a historia é deveras triste e emocionante, mas a trilha sonora das ultimas cenas faz qualquer um cair aos prantos.
Há uns dois anos ajudei um amigo na produção de um curta, fiquei com a tarefa de ajudá-lo na trilha e na sonoplastia, ali consegui evidenciar a importância da trilha sonora, como as cenas mudas não conseguem transmitir de forma completa o que o diretor pretende, mas com o som, parece que tudo cria vida, somos levados para dentro do filme, passamos a sentir o mesmo que os personagens, nos identificamos com mais facilidade, foi então um dia desses andando em uma grande avenida e vendo alguns mendigos que tive uma idéia: Se eu pudesse instalaria megafones com uma trilha bem triste, quem sabe alguém pararia e se identificaria com a miséria do mendigo, senti-se sua fome e o seu frio? Instalaria também nos hospitais, quem sabe também lamentaríamos a dor dos doentes? E sem esquecer de por alguns nos asilos e nos orfanatos para sentirmos a solidão dos internos.
É isso ,o mundo precisa de um pouco mais de musica e de sensibilidade, precisamos esquecer um pouco dos nosso umbigos e olhar mais para o próximo.

Quando amar?

Semana passada escrevi sobre Kafka, mas algo começou a me incomodar no dia seguinte: será que a insensibilidade humana é um mal do nosso século ou uma particularidade nossa obstante o período histórico?
Será que Sócrates, Gandhi,etc...tinham razão? E ficou a pergunta, será que algo mudou? Infelizmente poucos aprenderam alguma coisa.
Digo isso porque vejo muitos dizer que amam, bater no peito e dizer que temos que amar, mas vejo que esse amor é um tanto quanto conveniente, só é praticado quando parece resultar em algum lucro. Queria ver um dia alguém ser respeitado “ainda vivo e sem exposição da mídia” por ser uma pessoa de caráter, de bondade, mas infelizmente vejo muito mau caráter ser respeitado só porque tem poder, não importando o que fazem para terem o que tem.
Fica aqui um pensamento: “A bondade do homem mau é a conveniência, a maldade do bom é a justiça”.

Valério “o que ainda, mesmo assim não desistiu de amar” Dias